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7 livros sobre criatividade para ler antes de morrer

By Vida Criativa No Comments

De vez em quando aparece-nos um livro que não é só leitura: é uma espécie de botão de reset criativo. Não são necessariamente bestsellers, nem títulos que encontras em todas as livrarias, mas todos estes deixaram uma marca na minha vida (criativa, e não só). Alguns conversaram comigo e deram-me ideias novas, outros ensinaram-me a relaxar, outros simplesmente confirmaram que o caos também faz parte do processo. No total, são sete, com direito a um bónus inesperado.

 
1. “Roubar como um Artista” de Austin Kleon

Este livrinho é um verdadeiro manifesto anti-perfeição. Kleon basicamente diz: relaxa, nada é original. Tudo é remix, apropriação, alquimia criativa. E sabes que mais? Está tudo certo. O truque é roubar como um artista, ou seja, transformar influências em algo tão teu que ninguém percebe que é “roubo”. Desde que li isto, comecei a colecionar ideias como quem junta conchas na praia. Não para copiar, mas para combinar de formas inesperadas. Resultado: mais liberdade, menos drama.

É quase como ter uma gaveta secreta onde guardo frases de livros, recortes de revistas, conversas ouvidas num café (sim, eu oiço). Ao fim de algum tempo, essas coisas começam a fazer ricochete dentro da cabeça e, de repente, zás: aparece uma ideia nova. Uma ideia que, no fundo, é feita de outras. Mas com um novo sotaque. O teu.

 
2. “Big Magic” de Elizabeth Gilbert

Gilbert fala de criatividade como se fosse um ente querido excêntrico que nos visita sem avisar. Não controlamos a sua chegada, mas podemos estar prontos quando aparece. A ideia de que as ideias têm vontade própria parece mística, mas é incrivelmente libertadora. Aprendi a respeitar o timing da inspiração e a trocar o peso do martírio criativo pela leveza de quem está apenas a brincar (com seriedade, claro).

Foi com este livro que deixei de tratar a criatividade como uma obrigação de excelência. Em vez disso, comecei a ver os meus projetos como conversas com algo maior, algo que me escolhe para traduzir uma ideia em forma. Se falhar? Paciência. A próxima ideia que me escolher talvez seja mais cooperativa. E, enquanto espero, posso continuar a escrever, a mexer nas palavras, a pôr a mão na massa. O medo não desaparece — só deixa de mandar.

 
3. “The Success Myth” de Emma Gannon

Este livro podia chamar-se “Como parar de tentar ganhar medalhas imaginárias”. Gannon destrói a ideia de que sucesso é uma coisa séria, externa e mensurável. Para quem cria, isso é um alívio tremendo. A partir daqui, passei a medir o meu sucesso com uma régua pessoal: estou a gostar do processo? Estou a aprender? Então estamos bem.

Ela também desmonta aquela armadilha silenciosa do Instagram: a ideia de que todos têm vidas mais organizadas, mais lineares, mais inspiradoras. E tu? Tu estás no meio de um projeto meio feito, meio falhado, com 27 abas abertas e um chá frio ao lado. Gannon diz: tudo bem. Isso também é sucesso. Porque estás a viver de acordo com os teus critérios, não os dos outros. Isso liberta tempo, energia e — surpresa — espaço mental para criar com mais autenticidade.

 
4. “The Multi-Hyphen Method” de Emma Gannon

Mais Gannon, porque ela merece. Este é um manual para quem tem múltiplas paixões e não quer escolher só uma. Gannon diz que podemos (e devemos) ser várias coisas ao mesmo tempo: escritora / tradutora / cantautora amadora / aspirante a barista. Isso não é falta de foco, é riqueza criativa.

Foi com este livro que deixei de tentar “encaixar” numa descrição de LinkedIn e comecei a ver o meu percurso como um ecossistema criativo. Gosto de pensar que o meu trabalho se alimenta do que vivo fora dele. Uma conversa num brunch pode render uma metáfora para um artigo. Uma série de comédia pode inspirar o tom de um texto de marca. E tudo bem. Não preciso escolher entre ser criadora ou consumidora, artista ou técnica. Posso ser tudo isso. Às vezes no mesmo dia.

 
5. “Show Your Work” de Austin Kleon

Sim, ele aparece outra vez. Desta vez para dizer: mostra o que fazes, mesmo que ainda não esteja pronto. O conceito de documentar o processo em vez de esperar pelo ápice da perfeição mudou tudo para mim. Comecei a partilhar o making of, os erros, os esboços. E surpresa: as pessoas gostam. Identificam-se. Porque, no fundo, ninguém confia muito em quem parece ter tudo resolvido.

Kleon ensina que a partilha constante é uma forma de criar comunidade. E que construir uma audiência não tem de ser uma coisa cínica ou marqueteira. Pode ser generoso. Pode ser divertido. Pode até ser transformador para quem está a ver — e para ti, que passas a olhar para o processo com mais carinho.

 
6. “The War of Art” de Steven Pressfield

Pressfield apresenta a Resistência como o vilão número um da criatividade. Aquela voz interna que diz “não faças isso agora, vai ver mais um reel”. Ele defende que a diferença entre o amador e o profissional é que o segundo aparece para trabalhar todos os dias, mesmo sem vontade. Esta é a leitura ideal para quem romantiza demais o processo criativo. Spoiler: disciplina é sexy.

Este livro também me ensinou que o bloqueio criativo não é sinal de falta de talento. É, muitas vezes, sinal de medo. Medo de falhar, de ser medíocre, de ninguém ligar. Mas o medo não paga as contas. E a inspiração? Essa aparece mais vezes para quem já está a trabalhar. Como quem chega com café a meio da manhã, quando vê que estamos ali, firmes. Quase como um colega generoso que só aparece quando vê esforço.

 
7. “Tiny Experiments” de Anne-Laure Le Cunff

Este livro devora o mito do projeto gigante e perfeito. Em vez disso, propõe pequenos testes criativos, quase como brincar às ciências: tentar, falhar rápido, aprender. É uma abordagem leve, mas não leviana. Desde que a aplico, a minha criatividade passou a ter um ritmo mais fluido e muito menos ansiedade.

Le Cunff defende uma criatividade iterativa: faz-se, testa-se, ajusta-se. Isso reduziu aquele perfeccionismo paralisante que nos impede de começar. Comecei a ver os meus dias como laboratórios. Cada post, cada parágrafo, cada ideia — tudo pode ser um microexperimento. O objetivo? Aprender com cada tentativa. E, de vez em quando, acertar em cheio sem saber bem como.

 
Bónus: “Flow” de Mihaly Csikszentmihalyi

Ainda não li tudo, mas já me apaixonei pela ideia de entrar num estado de flow: aquele momento em que te esqueces que o tempo existe porque estás tão absorvida no que fazes. Csikszentmihalyi explica o que nos leva a esse ponto: desafio certo, objetivos claros, feedback imediato.

Parece simples, mas é um equilíbrio delicado. Demasiado fácil, aborrece. Demasiado difícil, frustra. Mas quando acertas, é magia pura. Um dia ainda organizo a minha rotina toda com base neste princípio. Até lá, vou-me contentando com pequenos momentos de flow entre uma notificação e outra.

 
Uma biblioteca viva, em movimento

Estes livros são como amuletos mentais que levo comigo. Releio-os, recomendo-os, discuto-os em jantares. Não porque têm respostas definitivas, mas porque fazem boas perguntas. E porque me lembram que criar não é sobre ser genial todos os dias, mas sim sobre continuar a aparecer, experimentar e partilhar.

Mais do que conselhos, são companhias. Quando me sento para escrever e tudo parece confuso, há sempre uma frase que me puxa o tapete — e com sorte, uma ideia nova. Porque, no fundo, criar é isso: conversar com quem veio antes, arriscar dizer algo diferente, e ter a coragem de continuar mesmo quando o silêncio é mais alto que as palavras.

Que livros de criatividade mexeram com as entranhas? A resposta a esta pergunta revela muito sobre quem somos como criativos e para onde estamos a ir. A nossa biblioteca pessoal torna-se, inveitavelmente, um reflexo da nossa mente criativa em constante evolução. E com um bocadinho de sorte, é uma biblioteca que não ganha pó.

Como tirar um dia sabático

By Vida Criativa No Comments

Desde cedo, ouvimos dizer que trabalhar nos torna mais fortes, saudáveis e independentes. Que trabalhar é uma honra e dá-nos honra. A geração anterior à nossa interpreta o conceito de trabalho de uma forma muito diferente: é um instrumento para sobreviver, acima de tudo. Não há cá burnouts, propósito ou missão e, muito menos, alegria no trabalho. Trabalho serve para colocar as contas na mesa e, eventualmente, de acordo com as profissões ou carreiras, ajudar a consolidar o nosso nome.

Depois chega a nossa geração (pessoas nascidas a partir de 1970), é disponibilizado um maior e mais fácil acesso ao ensino superior, e começam a surgir novos conceitos: vocação, talento, preferências, satisfação e realização profissional. Começamos a encarar aquela atividade que nos paga as contas e nos permite pôr comida na mesa com uma dedicação mais intensa, de forma tal que é fácil diluir o nosso eu profissional e o nosso eu pessoal.

Continua, contudo, presente uma tendência de acharmos que trabalhar muito faz de nós melhores pessoas e melhores profissionais. Somos cada vez mais exigentes com o nosso percurso e, simultaneamente, menos tolerantes com o ócio, com um ritmo lento de vida.

Stefan Sagmeister, designer austríaco radicado em Nova Iorque, é um dos meus criativos preferidos. Devem lembrar-se de uma exposição que teve lugar no Maat em 2018 chamada The Happy Show. Eu gostei especialmente não só porque havia uma overdose de amarelo, mas porque acompanhava o trabalho de Sagmeister há alguns anos. O The Happy Show veio no seguimento de um documentário que ele fez sobre a felicidade chamado The Happy Film. E o The Happy Film foi possível porque este nosso amigo tirou um ano sabático para se dedicar a projectos pessoais. Tau! De sete em sete anos, ele tira um ano inteiro apenas para se focar nos seus interesses. Ele contou como geria este processo numa Ted Talk super famosa, The Power of Time Off. Podem clicar que não vos faz mal nenhum. Naturalmente, ele não fica sentado a olhar para a parede, dedica-se a projectos pessoais e foca-se nos seus interesses. O que mais me fascinou nesta palestra foi a seguinte conclusão: o trabalho que é criado nesse ano sabático traz sangue fresco à vida dele e uma nova criatividade, conjunto de competências novas e novos projectos à empresa quando regressa após um ano.

Como nem todos temos forma de sobreviver um ano longe dos nossos trabalhos ou actividades profissionais – e muito poucas empresas portuguesas proporcionam licenças sem vencimento aos seus funcionários, podemos fazer uma versão low-cost de um ano sabático: um dia sabático. Eu costumo tirar um de 6 em 6 meses.

Aprendi que temos de seguir alguma estrutura. Ficariam espantados se soubessem o quanto é fácil desperdiçar um dia sem fazer nada. O que também é necessário, mas esse artigo fica para outras núpcias. Costumo seguir alguns passos:

 

    1. Arrumar a vida
      Gosto sempre de ter um pouco de trabalho e de arrumações neste dia. Por natureza, tenho a tendência para apenas conseguir divertir-me, relaxar ou dedicar-me ao lazer quando não tenho nada pendente. No ano passado, passei a manhã inteira do meu primeiro dia de férias a limpar a caixa de e-mail pessoal e consegui chegar a inbox zero pela primeira vez em 6 anos. Senti-me profundamente aliviada e, acreditem ou não, realizada.
    2. Ter uma masterlist de temas culturais/intelectuais/criativos e riscá-la nesse dia
      Para além da to-do list normal do dia-a-dia, é boa ideia manter uma masterlist criativa que vais preenchendo com artigos que queres ler com tempo e atençao, Ted Talks que queres ouvir mas que ainda não conseguiste, revistas que compraste com tanto carinho e ainda nem abriste. Dedica algumas horas apenas a riscar esses itens. Se lá os puseste, é porque eram importantes. Se olhares para eles e não te suscitarem grande interesse, apaga e passa ao próximo.
    3. Ler livros
      Eu sinto que desenvolvi algum défice de atenção nos últimos tempos porque não estou a ler tantos livros como devia gostaria. Acabo por ler mais a nível digital e os livros vão ficando empilhados na mesa de cabeceira. É bom tirar uma ou duas horas, sem telemóvel por perto de preferência para ler uns capítulos de um livro que tenhas escolhido. Eu leio sempre simultaneamente não-ficção (alimenta-me o cérebro) e ficção (alimenta-me o coração). Neste momento, estou com O Filho de Mil Homens, do Valter Hugo Mãe e com o Becoming, da Michelle Obama.
    4. Dedicar tempo a algum projecto pessoal
      Alguma coisa que esteja pendurada há algum tempo, como esteve o Yellow três anos. Ou algum passatempo. Ou algum interesse artístico. Se for algo longe do computador, melhor ainda. Os olhos precisam de algum descanso.
    5. Passar tempo na rua
      Quando estamos a trabalhar, ficamos encurralados numa série de rotinas: vemos as mesmas pessoas, fazemos o mesmo caminho para o trabalho, lavamos os dentes com a mesma mão e usamos provavelmente o mesmo tipo de roupa.
      Imagina teres a liberdade de, mesmo num dia de semana, ires almoçar a um restaurante que sempre quiseste conhecer (e que aos fins-de-semana está abarrotado), passeares em ruas pouco invadidas por turistas ou simplesmente desfrutares da cidade – tudo isto dar-te-á um sentido acrescido de liberdade.

Tirar um dia para alimentar a criatividade dá-nos fôlego para várias semanas de trabalho mais inspirado e motivado. Ajuda-nos a recarregar baterias sem termos de tirar férias a sério e areja a nossa vida. Ficamos mais bem posicionados em termos de interesses, ficamos mais atualizados culturalmente e dá-nos um pouco de tempo pessoal, de que tanto necessitamos.

Já sabes quando vais tirar o teu dia sabático?

Blog - Stealing like an artist | Yellow Creative Studio

A arte de roubar como um artista

By Vida Criativa No Comments

Os grandes artistas não copiam, roubam.

Atribuída a Pablo Picasso (ou será a T. S. Eliot? Ou a Steve Jobs citando ambos?), esta frase esteve sempre presente na minha vida desde que a li pela primeira vez há coisa de uma década.

Mas o que significa realmente “roubar como um artista”? E onde está a linha entre inspiração e plágio no trabalho criativo?

O mito da originalidade absoluta

Vamos começar por admitir uma verdade incómoda: a originalidade pura é praticamente impossível. Tenho más notícias para quem acredita ser completamente original. Provavelmente, não és. E eu também não sou.

Os nossos cérebros processam constantemente informações do exterior e, inevitavelmente, essas influências combinam-se para formar o que chamamos de “ideias originais”. É como se fossemos DJs cognitivos, sempre a fazer remix de tudo o que absorvemos.

Recordo um professor de literatura que dizia: “Existem apenas sete histórias no mundo, e estamos sempre a recontá-las de formas diferentes.” Na altura, achei aquilo um exagero cínico. Hoje, reconheço a sabedoria por trás desta afirmação. A questão não é se somos influenciados, mas como transformamos essas influências em algo que carrega a nossa assinatura.

Como diria Austin Kleon no seu livro “Steal Like an Artist” (sim, roubei o título deste artigo dele, intencionalmente e com todo o respeito): “Nada é original, então aceita a influência, coleciona ideias e mistura-as com a tua própria personalidade.”

O bom roubo vs. o mau roubo

Existe uma diferença crucial entre o que chamo de “roubo transformador” e simples apropriação. Vejo isto constantemente em projetos de conteúdo e estratégias de marketing que desenvolvo para clientes.

O mau ladrão:

  • Copia diretamente sem transformação
  • Não compreende o contexto das referências
  • Esconde as suas fontes de inspiração
  • Não acrescenta nada de novo

O bom ladrão:

  • Estuda profundamente diversas referências
  • Compreende os princípios subjacentes
  • Reconhece honestamente as suas influências
  • Transforma e recombina para criar algo novo

Durante os meus anos no mundo corporativo, observava frequentemente o “mau roubo”. Campanhas que eram quase decalques umas das outras, sem qualquer transformação criativa. As mais interessantes, pelo contrário, mostravam claramente a sua linhagem de influências, mas conseguiam adicionar uma perspetiva fresca e inesperada.

A minha caixa de curiosidades: um sistema para roubar bem

Desenvolvi ao longo dos anos um sistema pessoal que chamo carinhosamente de “caixa de curiosidades”. É fundamentalmente uma biblioteca de ideias, técnicas e inspirações que coleciono meticulosamente. Uso uma mistura de Milanote, MyMind e Notion para organizar estas referências em categorias (eu sei, tenho de reunir tudo no mesmo lugar – é um dos planos para este ano):

  • Técnicas de escrita: Desde estruturas narrativas a jogos de palavras
  • Estratégias visuais: Composições, paletas de cores, tipografias
  • Vozes e tons: Exemplos de comunicação que me marcam
  • Ideias conceptuais: Abordagens filosóficas e frameworks mentais

Esta biblioteca não é apenas um repositório passivo; é uma ferramenta ativa de transformação. Quando começo um novo projeto, mergulho nesta coleção, combinando e recombinando elementos. O resultado nunca é uma cópia direta, mas algo que carrega o ADN das minhas inspirações num arranjo completamente novo.

E, talvez mais importante, mantenho uma prática deliberada de atribuição. Quando uma ideia tem uma fonte clara, faço questão de a reconhecer. Não é apenas uma questão de ética. É também uma forma de mostrar que sou parte de uma linhagem criativa maior.

Apropriação cultural: o roubo que não deve acontecer

Há formas de “roubo” que são problemáticas e carecem de ética. A apropriação cultural é um exemplo claro disso, especialmente quando elementos culturais significativos são descontextualizados ou comercializados sem respeito pelo seu significado original.

Como criativa, faço um esforço consciente para pesquisar e compreender o contexto cultural das minhas referências, reconhecer de onde vêm as influências, questionar se a minha adaptação honra ou diminui a fonte original, e consultar vozes dessa cultura quando apropriado.

Este cuidado não é limitar a criatividade. É enriquecê-la com respeito e consciência.

Como construir o teu próprio “museu de influências”

Se queres desenvolver a tua capacidade de “roubar como um artista”, aqui estão algumas práticas que me têm sido úteis:

  1. Mantém um diário de inspirações Anota ideias, citações, técnicas que te impressionam, com a respetiva fonte. Podes usar um caderno físico ou ferramentas digitais como o Notion ou o Evernote.
  2. Estuda profundamente, não superficialmente
    Não te limites a observar a superfície do trabalho que te inspira. Tenta compreender as escolhas, o contexto, as técnicas subjacentes. É como desconstruir uma receita para perceber porque é que funciona.
  3. Mistura influências improváveis Algumas das ideias mais refrescantes surgem da combinação de influências de campos distintos. O que acontece quando aplicas princípios de arquitetura à escrita? Ou conceitos de gastronomia ao design gráfico?
  4. Pratica a remistura deliberada Escolhe conscientemente elementos de diferentes referências e desafia-te a combiná-los numa nova peça. É como ser um chef que experimenta fusões culinárias inesperadas.
  5. Sê transparente sobre as tuas influências Reconhecer as tuas fontes não diminui a tua criatividade. Mostra a tua erudição e honestidade. É um sinal de confiança, não de insegurança.

Da ansiedade da influência à alegria da transformação

O poeta Harold Bloom falava sobre a “ansiedade da influência”, o medo que os criadores sentem de serem meras sombras dos gigantes que os precederam. Mas talvez seja hora de transformar essa ansiedade em celebração.

Somos todos parte de uma grande conversa criativa que se estende através do tempo e do espaço. Cada contribuição é simultaneamente um eco e uma nova voz. Quando abraçamos as nossas influências e as transformamos com intenção, honestidade e respeito, não estamos apenas a “roubar como artistas”. Estamos a participar no grande diálogo da criatividade humana.

E tu? Quais são as tuas principais influências? Como as transformas no teu trabalho? Partilha nos comentários. Estou genuinamente curiosa para saber como “roubas” criativamente.